As colecções que se espalham,
Pela casa, sala e quarto atrapalham...
Às vezes só me dá vontade de me trancar,
Na casa de banho e fingir não lá habitar.
As memórias que sobrevivem nas colecções...
São mais presentes que o nosso filho na sala sem calções.
Como está vivída a minha memória,
De ti sentada na cama a contar-lhe uma história.
Como me custa que já não estejas connosco...
Aperto forte que ao meu coração foi imposto.
Ele cresceu forte, sagaz e sadio,
Mas como deves saber, é bom moço, um pouco vadio.
De vez em quando sinto o vento a arrepiar,
Imagino sempre que sejas tu, a nos observar.
Queria e tínhamos tanto ainda para viver,
Mas tua saúde debilitou, não quis permanecer.
Entreguei-me para me entreter, às palavras,
Pois passei largas noites sem dormir em temperaturas elevadas.
E passeei pelas fotografias todos os dias,
Falei com elas, se ao menos ouvissem como tu me ouvias...
Como poderei alguma vez te esquecer...?
Se para isso terei de querer, deixar de lembrar, deixar de viver...
sábado, 31 de janeiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Não sei porquê...
Mas continuas a gritar aqui dentro...
Não percebo bem o quê...
Mas sinto-me no centro.
As palavras como adagas...
Perfuram e rasgam...
Tuas mãos agitadas,
Fogem e não param.
As coisas amontoam-se...
E os temas crescem...
E tuas palavras ecoam...
Enquanto sentimentos padecem...
Não te quero sequer contrariar,
Mas não queria ficar calado...
Pois enquanto me estás a atacar,
Deixas tudo o resto sossegado.
Vou falar baixinho,
Pode ser que me tentes ouvir...
Não posso nem de fininho,
Deixar que me vejas a rir.
Já aprendi a deixar de me exaltar,
Mesmo perante a injustiça...
E um dia hás-de para trás olhar,
E destes dias sentir cobiça.
Mas continuas a gritar aqui dentro...
Não percebo bem o quê...
Mas sinto-me no centro.
As palavras como adagas...
Perfuram e rasgam...
Tuas mãos agitadas,
Fogem e não param.
As coisas amontoam-se...
E os temas crescem...
E tuas palavras ecoam...
Enquanto sentimentos padecem...
Não te quero sequer contrariar,
Mas não queria ficar calado...
Pois enquanto me estás a atacar,
Deixas tudo o resto sossegado.
Vou falar baixinho,
Pode ser que me tentes ouvir...
Não posso nem de fininho,
Deixar que me vejas a rir.
Já aprendi a deixar de me exaltar,
Mesmo perante a injustiça...
E um dia hás-de para trás olhar,
E destes dias sentir cobiça.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Entre o sono e o sonho... versão 4
Venho de um mundo,
De eternos instantes...
Tão quente e profundo,
Cheio de vozes vibrantes...
Esse mundo retorna à chegada da noite,
Com uma hora a mais ou a menos...
Depende dele a minha sorte,
Ou dos contos que para adormecer lemos...
É um mundo perfeito,
Nas noites calmas e pacificas...
Mas nele encontro defeito,
Quando nele não habitas!
Sonho que é sonho...
Tem de te ter escarrapachada...
Pois se não tiver eu ponho,
A tua figura, tão desejada.
Até te podia chamar de sorrateira,
Ao perscrutares meus intimos pensamentos...
Mas entraste tão certa e ordeira,
Que sem ti os meus... não são momentos.
De eternos instantes...
Tão quente e profundo,
Cheio de vozes vibrantes...
Esse mundo retorna à chegada da noite,
Com uma hora a mais ou a menos...
Depende dele a minha sorte,
Ou dos contos que para adormecer lemos...
É um mundo perfeito,
Nas noites calmas e pacificas...
Mas nele encontro defeito,
Quando nele não habitas!
Sonho que é sonho...
Tem de te ter escarrapachada...
Pois se não tiver eu ponho,
A tua figura, tão desejada.
Até te podia chamar de sorrateira,
Ao perscrutares meus intimos pensamentos...
Mas entraste tão certa e ordeira,
Que sem ti os meus... não são momentos.
Entre o sono e o sonho... versão 3
Senti a cama a mexer ontem à noite...
No sonho entraste num abraço forte.
Mas foste à cozinha beber leite...
Desejei a mim próprio melhor sorte.
Nesse abraço que me aqueceu, que senti...
Houve uma emoção especial.
Algo que não sabia onde estava, que perdi...
Mas que soube tão bem, tão natural.
Foram fechando sem eu querer,
Pois quero mesmo dormir no teu espaço...
E ainda me hás de um dia ver,
A lutar contra o sonho, é o que melhor faço!
Voltaste seguramente na cama a entrar,
Deves ter demorado que trazias teu corpo gelado...
Timidamente não me vieste abraçar...
Fui eu que me voltei para o abraço apertado.
Provavelmente deixaste-te dormir no sofá...
A ver um documentário qualquer do Panamá.
Ou então nem chegaste a sair daqui de ao pé de mim,
E dormimos aconchegados nesse abraço sem fim.
No sonho entraste num abraço forte.
Mas foste à cozinha beber leite...
Desejei a mim próprio melhor sorte.
Nesse abraço que me aqueceu, que senti...
Houve uma emoção especial.
Algo que não sabia onde estava, que perdi...
Mas que soube tão bem, tão natural.
Foram fechando sem eu querer,
Pois quero mesmo dormir no teu espaço...
E ainda me hás de um dia ver,
A lutar contra o sonho, é o que melhor faço!
Voltaste seguramente na cama a entrar,
Deves ter demorado que trazias teu corpo gelado...
Timidamente não me vieste abraçar...
Fui eu que me voltei para o abraço apertado.
Provavelmente deixaste-te dormir no sofá...
A ver um documentário qualquer do Panamá.
Ou então nem chegaste a sair daqui de ao pé de mim,
E dormimos aconchegados nesse abraço sem fim.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Entre o sono e o sonho... versão 2
Os pensamentos arrastam-se,
Num cansaço que conquista...
Os movimentos atrasam-se,
Na corrida com a vista...
Cai a chávena, cai o café...
Em camara lenta até ao chão,
E eu a ver em direcção ao meu pé...
Mas não mexi nem o dedão.
E hoje os turnos continuam...
Faz-me falta o sono que descansa,
E estes turnos a que me obrigam...
Colocam a sanidade na balança.
Ao conduzir sinto-me a planar,
Mas tenho de ir para o trabalho...
Tento não fechar os olhos ou parar,
Pois tenho de provar o que valho.
Como poderia eu ouvir,
O doce som da chuva a cair...?
Os pneus a derraparem,
Ou a chapa do carro na minha direcção a vir?
Tudo em camara lenta...
Como nos filmes de animação.
Vamos ver se aguenta,
Este frágil coração.
Num cansaço que conquista...
Os movimentos atrasam-se,
Na corrida com a vista...
Cai a chávena, cai o café...
Em camara lenta até ao chão,
E eu a ver em direcção ao meu pé...
Mas não mexi nem o dedão.
E hoje os turnos continuam...
Faz-me falta o sono que descansa,
E estes turnos a que me obrigam...
Colocam a sanidade na balança.
Ao conduzir sinto-me a planar,
Mas tenho de ir para o trabalho...
Tento não fechar os olhos ou parar,
Pois tenho de provar o que valho.
Como poderia eu ouvir,
O doce som da chuva a cair...?
Os pneus a derraparem,
Ou a chapa do carro na minha direcção a vir?
Tudo em camara lenta...
Como nos filmes de animação.
Vamos ver se aguenta,
Este frágil coração.
Entre o sono e o sonho...? Versão 1
Já nem sei bem...
Se tudo isto acabou.
Deixa-me ficar aqui sem,
O minimo ruido, pois assim estou...
Já não ouço ameaças,
Nem o vento a zumbir nos ouvidos...
Eram enormes traças,
Doutros mundos perdidos....
Talvez nada fossem,
Pois apenas sinto os lençóis em mim...
As recordações trazem,
Pesadelos à realidade assim.
Mas tantas vezes que o sonho,
Me acorda com sorrisos...
Eu é que já não imponho,
Os mesmos sonhos precisos.
Abro os olhos bem devagarinho,
A preparar-me para o mundo real...
Vou assim sair da cama de fininho,
E esquecer o pesadelo brutal.
Pois essa fronteira é cada vez mais dificil de ver,
Nesta mente que sempre divaga...
Já não sei se deva voltar para a cama ou me esconder...
Pois ao ver a traça perdi a minha calma.
Se tudo isto acabou.
Deixa-me ficar aqui sem,
O minimo ruido, pois assim estou...
Já não ouço ameaças,
Nem o vento a zumbir nos ouvidos...
Eram enormes traças,
Doutros mundos perdidos....
Talvez nada fossem,
Pois apenas sinto os lençóis em mim...
As recordações trazem,
Pesadelos à realidade assim.
Mas tantas vezes que o sonho,
Me acorda com sorrisos...
Eu é que já não imponho,
Os mesmos sonhos precisos.
Abro os olhos bem devagarinho,
A preparar-me para o mundo real...
Vou assim sair da cama de fininho,
E esquecer o pesadelo brutal.
Pois essa fronteira é cada vez mais dificil de ver,
Nesta mente que sempre divaga...
Já não sei se deva voltar para a cama ou me esconder...
Pois ao ver a traça perdi a minha calma.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Há em todos momentos mais pessoais,
Pequenos ou grandes segredos escondidos...
Ou a pergunta latente "Onde vais?"
Infiltrada e espalhada em pensamentos perdidos...
Ninguém quer na realidade conhecer ninguém...
E essa treta do realmente querer...
É algo hipócrita e falso também,
Ou não estaria eu a escrever.
O que pensamos da pessoa é realmente,
O nosso mundo e no que acreditamos...
Mas quando conhecemos um pouco mais da gente...
É que compreendemos, é que nos revelamos...
Porque na intimidade conhecemos...?
Achamos que sabemos de tudo e presumimos...
Depois de muito descobrir é que vemos...
O quanto desconhecemos onde investimos.
Já não acho que é coisa menos boa...
Não conhecer nem na realidade saber...
É como chegar e olhar pela primeira vez Lisboa,
Desde que não seja para escolher casa e viver.
Uma surpresa em cada esquina,
Com que podemos aprender...
Um sorriso que confirma,
Que isto inesperado é que é viver.
Que o quente no meu peito,
Aquece tudo à minha volta...
E que não vem só do nosso leito...
Mas que nos rodeia e nos solta.
Que os sorrisos não precisam de expectativa,
Que os abraços vêm naturais e por si só...
E que as surpresas são de ordem colectiva,
Independente de onde ou para onde vou...
Cada dia começamos a desenhar,
Planos futuros que se deixam a pairar e vaguear...
Apenas para no final do dia,
Rasgar tudo até ao próximo bom dia!
Mas acordamos sempre com vontade,
De começar a desenhar e planear...
Como é bom olhar para ti minha metade,
E saber que desejamos o mesmo para começar, viajar...
Pequenos ou grandes segredos escondidos...
Ou a pergunta latente "Onde vais?"
Infiltrada e espalhada em pensamentos perdidos...
Ninguém quer na realidade conhecer ninguém...
E essa treta do realmente querer...
É algo hipócrita e falso também,
Ou não estaria eu a escrever.
O que pensamos da pessoa é realmente,
O nosso mundo e no que acreditamos...
Mas quando conhecemos um pouco mais da gente...
É que compreendemos, é que nos revelamos...
Porque na intimidade conhecemos...?
Achamos que sabemos de tudo e presumimos...
Depois de muito descobrir é que vemos...
O quanto desconhecemos onde investimos.
Já não acho que é coisa menos boa...
Não conhecer nem na realidade saber...
É como chegar e olhar pela primeira vez Lisboa,
Desde que não seja para escolher casa e viver.
Uma surpresa em cada esquina,
Com que podemos aprender...
Um sorriso que confirma,
Que isto inesperado é que é viver.
Que o quente no meu peito,
Aquece tudo à minha volta...
E que não vem só do nosso leito...
Mas que nos rodeia e nos solta.
Que os sorrisos não precisam de expectativa,
Que os abraços vêm naturais e por si só...
E que as surpresas são de ordem colectiva,
Independente de onde ou para onde vou...
Cada dia começamos a desenhar,
Planos futuros que se deixam a pairar e vaguear...
Apenas para no final do dia,
Rasgar tudo até ao próximo bom dia!
Mas acordamos sempre com vontade,
De começar a desenhar e planear...
Como é bom olhar para ti minha metade,
E saber que desejamos o mesmo para começar, viajar...
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