quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Como os caminhos que antes conhecias, se perdem no meio da bruma... e tu ao regressar aos meus trajectos não sabes para onde hás-de ir... as pedras rolam, a erva cesce... e a fronteira que delimitava o teu caminho foi toldada por elementos que desconheces... mesmo assim... passo ante passo, perscrutas o desconhecido enquanto a vontade irrisória da que já tiveste te empurra vagarosamente numa direcção desconhecida e ainda tão indecisa...

Os teus caminhos foram separados daqueles que eu conhecia... e os que eu queria percorrer em tua direcção foram alterados... minto... os caminhos continuam os mesmos... mas tu não estás no final do caminho... por muito que te procure nos meus tempos livres, na privacidade dos meus pensamentos, em pessoa tu fugiste para um sitio que me escapa suavemente por entre os dedos... e no desejo de te ver indago silenciosamente onde estarás...

Abruptamente mudámos os costumes, hábitos e presenças... foi de cabeça quente como bem sabes... não houve conversa depois... houve uma ligeira desconfiança das emoções partilhadas, mas ambos sabemos o que cada um sente pelo outro... como já te disse... permaneço o mesmo, se calhar não o mesmo por quem te apaixonaste, mas se em algo mudei foi devido à interação que tive contigo, com os eventos que se passaram na minha vida e com as experiências acumuladas entretanto... custa-me... como te deve custar a ti presumo, tantas coisas que antes eram tomadas como garantidas e hoje em dia são garantidamente nulas... sinto a tua ausência e desejo que se transforme em presença... todos os dias... mas todos os dias me recordo das pequenas coisas que pedimos um ao outro para mudar de maneira a conseguirmos passar sem discussões, sem atritos... lembro-me de querer desligar o telemovel... lembro-me de muitas coisas... mas lembro-me mais dos teus olhos...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Mais uma vez...

Pois é... mais uma vez as feridas saram ao seu próprio tempo... não consoante o nosso desejo como tantas vezes preferimos. No entretanto, as horas passam... as sensações ficam... mas que podemos nós fazer para contrariar o que vai cá dentro e a forma como vemos o mundo? Há pessoas que rapidamente substituem uma pessoa com outra, que preenchem um vazio com entulho ou algo que não é verdadeiramente do seu agrado, apenas para sentirem menos dor... eu prefiro sentir a dor na sua totalidade e rodear-me de pessoas que me querem bem e que não vão secretamente conspirar ou magicar acções com as quais não me identifico... mas até assim a vida custa, o avançar vagarosamente sem impulso ou sem sentir que alguém partilha da nossa vontade acredito que seja apenas uma questão de habituação... espero...
Eu sei que não sabes e a esta altura já nem queres saber... mas passo noites à tua espera... os minutos transformam-se em horas quando divago no teu bem estar e o sofá passou a ser o meu melhor amigo por não querer ir para a cama sozinho... acordo triste por não te ver aqui ao meu lado e deambulo na casa procurando uma razão para já não estarmos juntos... ouço musicas que me entristecem por saber que joguei um amor fora e não o soube aproveitar, não... não soubemos!

Se não sabes devias saber que sempre fui verdadeiro... mesmo naquelas alturas em que evitava dizer que te amava... devias saber quem sou e se não sabes.... mais perdes porque tiveste tudo da minha parte para começarmos uma vida a dois e o medo que te empurrou para trás... esteve sempre presente na minha alma, mas encarei o meu medo e achei que valerias a pena se fosse assim necessário sofrer como já sofri antes... no inicio perguntaste se te iria magoar... acho que nunca o fiz propositadamente mas as acções practicadas por ambos... não levaram a que nos amássemos mais mas sim dividiram-nos em direcções opostas... mas...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Viagem ao mais intimo...

Preferia não lhe chamar um regresso... mas se a ultima vez que publiquei alguma coisa aqui foi em Novembro de 2012... como poderei não o fazer...?

Como sempre o papel e esta tela branca que se recorta com contornos negros, curvas e traços que que simbolizam algo, sempre cá esteve para mim... mas como tantas coisas... foi desprezado e a sua importância renegada por momentos divididos com alguém... mas perdura aqui... à minha espera... ao contrário de tantas outras coisas que perdemos quando nos afastamos, o meu doce confidente todos os dias me acompanha ultimamente... todos os dias me tenta confortar por me ouvir e nada dizer... todos os dias me sente a ausência e com medo de pressionar as minhas palavras ao exilio se cala e me espera... não é alguém que me conforte com palavras, mas também... as palavras magoam, as pessoas magoam, o silêncio magoa... tudo magoa quando as alterações se processam... prefiro que me ouças... mesmo que nada digas meu amigo.

O vazio que se espalha nas minhas paredes em casa é sinónimo do meu âmago, espelho da minha alma e carácter constante da minha cara... as paredes que já foram de um amarelo alegre e uma pintura mexicana, que já tiveram muitos quadros pendurados e vida dos mesmos... foram pintadas de uma cor neutra que nada tem a ver comigo... foram pintadas não por minha causa... e os quadros retirados...

Os sorrisos que já brotaram milhares de vezes, refundem-se em esgares e pequenas alterações de um rosto rigído, frio e hoje, indiferente à maior parte dos estímulos. Mas até isso terá um fim... e esse fim já esteve mais longe.

Hoje vou pendurar os quadros da minha vida, aqueles que pintei com gestos decididos e que marcaram o percurso que fiz até hoje... Hoje, aquela cor luminosa vai-se transformar em moldura de emoções, em tela pintada com o passado, em alma cheia...
Sei que as paredes já estiveram alvas... incólumes... mas já não estarão amanhã... pois decidido, preciso de preencher o que de mais importante tenho... preciso de dar aquele passo que comanda a alma num impulso alegre, determinado e continuo. E assim o farei.... :-)

sábado, 3 de novembro de 2012

A chuva cai... tilinta no meu ouvido,
Como ouro que comprova vidro...
Este ritmo a que cai sugere uma dança...
Desconcertante, uma dança apaixonada...
Em que pouco importa o quanto nos molhamos,
Ou que roupa trazemos vestida...
a chuva cai...
a chuva cai e há quem deseje que nunca se vá...
Quem deseja que nunca tivesse vindo... mas certo é...
Certo como as gotas que ouço colidirem com o chão,
que a chuva cai... o asfalto parecendo um riacho transporta sementes, folhas, restos do que foi...
Do que já passou e limpa... gota após gota...
Que desliza no alcatrão recolhendo as impurezas...
Que com pouco a pouco vai revelando certezas...
a chuva cai.

sábado, 15 de setembro de 2012

Já ouvi muitas vezes falar...
De circunstâncias que nos impedem de avançar.
Como muitas delas nos causam dor...
Ou coisas simples como bloqueio de escritor.

Houve afirmações (talvez) infundadas...
De vozes da raiva em almas conturbadas.
Afirmando o bloqueio em altura serena,
Mas se assim fosse... seria realmente uma pena.

Pois que melhor altura para escrever,
Que quando a alma apenas sorri, sem sofrer?
Que melhor altura para apreciar...
Os prazeres que o amor pode providenciar?

Gostava de conseguir exprimir...
O sorriso da madrugada.
Mas palavras seria mentir.
Felicidade na alvorada...

Sei que por ti seria de evitar,
O crepusculo... o despertar...
Mas para mim é acordar a sorrir...
Por estares ali, por te sentir.

Talvez por isso não consiga dormir,
Por ter tanta vontade de te fazer rir...
Ou por tanto ambicionar,
Um primeiro acordar no nosso lar.

A velocidade é algo que me fascina,
Gostaria de apressar o tempo...
Um ano num piscar de olhos, imagina!
E a nossa interacção em aumento...

Um breve vislumbre do que seria...
A matilha de cães, uma selvajaria!
O acordar doce, o sol já alto...
E o cheiro do quarto ao lado a talco.

Será criar sorrisos em crescendo,
Com ensurdecedor riso matinal...
E esses olhos noutros nossos de momento,
Esquecerá tudo que a manhã faz de mal.

I feel the ropes of the ship tightening as the wind picks up... The boards crank and moan as if they had something to say, As the silence ar...